JOÃO PAULO II E A MAÇONARIA

Daniel Leroux
1988

Uma religião universal

Historicamente a maçonaria nasceu numa taverna de Londres, a taverna de Pommier, numa noite de fevereiro de 1717. Vários senhores aí decidem, nessa noite, a fusão das quatro lojas que frequentavam habitualmente. Na aparência nada havia de inquietante, visto que todas essas lojas não comportavam senão cerimônias profanas. Todavia, desde algum tempo, essas lojas de pedreiros (maçons), por meios cujas características ignoramos as modalidades, serviam de abrigo a pessoas que queriam esconder suas atividades: foi o caso dos “stuardistas” da Escócia.

Assim, a reunião de fevereiro de 1717 é o ponto de partida de uma verdadeira transformação dessas lojas. É o nascimento — alguns dirão, a fase especulativa — da maçonaria tal como ela existe ainda hoje. Então o que se passou? Sabemo-lo lendo as “constituições” redigidas por alguns dos “cavalheiros” dessa noite, entre os quais o DR. DÉSAGULIERS e o DR. JAMES ANDERSON, teólogo protestante. Essas primeiras “constituições” são os fundamentos da maçonaria especulativa. O primeiro parágrafo traz o seguinte texto:

“Adão, nosso primeiro pai, criado à imagem de Deus, o Grande Arquiteto do Universo, deve ter tido as ciências liberais, em particular a geometria, gravadas em seu coração; pois, desde a “Falta” encontramos esses princípios no coração dos seus descendentes, de tal modo que com o tempo se pode fazer um sistema prático de proposições, graças à observação da lei de proporção. al como se depreende do mecanismo. Assim, as artes mecânicas deram ao sábio a ocasião de reduzir os elementos da geometria num sistema, e essa nobre ciência, desse modo organizada, tornou-se a base de todas as artes, em particular a de pedreiro e a da arquitetura, e a regra que permite desenvolvê-las e aplicá-las.” [The Constitutions of the Free Masons, 1723, p. 7-46]

BERNARD FAY comenta, assim, essas “constituições”:

“Num estilo que se assemelha ao da Bíblia e de Brid’hoison, os autores redigiram uma espécie de Evangelho para o uso de uma Igreja intelectual e utilitária; é a novidade e a audácia do texto; era muito natural que pedreiros, talhadores de pedra e carpinteiros, reunidos numa associação corporativa, aplicassem-se a saber a história da arquitetura e da geometria, sua mãe, desde Deus até eles, passando por Adão, Pitágoras, Arquimedes e Tubal Cain; mas para uma associação internacional, filosófica e moral, que renunciou às preocupações profissionais e visa restaurar a ordem social e moral, instaurando uma nova ordem intelectual, essa atitude racionalista e prática, essa preocupação com o progresso mental e material, excluindo o progresso espiritual e moral, tudo é de uma extraordinária audácia; é uma completa renovação dos valores [secularmente] aceitos e o estabelecimento de regras originais…

Nos antigos manuais maçônicos que precederam a fusão, encontrava-se, no princípio, invocações à Trindade e a numerosos santos do Paraíso: era uma tradição das corporações católicas e um hábito vindo da Idade Média. Na maçonaria de 1717, aboliu-se as invocações aos santos, a Reforma fez sua passagem [na história], nós estamos na Inglaterra, e não há nada de extraordinário. E também nada de invocação à Trindade, nada mesmo de menção à Trindade e ao Cristo. Ao contrário, nesse parágrafo fala-se, com prudência e audácia, sobre ‘Deus e a religião’.” [Bernard Fay, La Franc-Maçonnerie et la révolution intellectuelle du XVIllème siècle, p. 89.]

Esse parágrafo diz:

“Um maçom é obrigado por sua profissão a obedecer à lei moral; e, se ele tem uma compreensão judiciosa da arte, não será jamais um ateu estúpido, nem um libertino da irreligião. Se bem que outrora os maçons tivessem tido a obrigação de pertencer, em cada país, à religião do lugar, qualquer que ela fosse, agora pareceu melhor não obriga-los a pertencer senão a esta religião sobre a qual todos os homens estão de acordo, deixando a escolha às suas opiniões individuais; assim basta que sejam bons e verdadeiros, gente de honra e de probidade, quaisquer que possam ser as religiões ou seitas diferentes às quais pertençam; em consequência de tudo isso, a maçonaria tornar-se-á o centro de união e o meio de criar uma fraternidade verdadeira entre pessoas, que sem isso, ficariam separadas para sempre.” [The Constitutions of the Free Masons]

Que religião é essa “sobre a qual todos os homens estão de acordo”? O antigo Grão-Mestre do Grande Oriente da França explica: “Fazer essa pergunta é já reconhecer o caráter revolucionário do texto de Anderson… Antes de tudo, Anderson repudia a religião do Estado… Mas isso não o satisfaz… ele deixa a cada um suas próprias opiniões… Desse modo, todas as opiniões, e as opiniões religiosas em particular, têm igualdade de direito… Tais ideias deveriam ir longe… Elas constituem verdadeiramente uma religião universal”. [Jacques Mitterrand, La politique des francs-maçons, p. 45]

A maçonaria quer assim refazer o mundo a partir de um novo Evangelho, em torno de uma nova religião com a qual “todos os homens estarão de acordo”. É verdadeiramente uma revolução, que o célebre maçom suíço QUARTIER-LA-TENTE traduz nestes termos: “A maçonaria se impôs uma tarefa, uma missão. A questão é nada menos que a reconstrução da sociedade sobre uma base inteiramente nova”. [Léon de Poncis, La Franc-Maçonnerie d’après ses documents secrets, p. 14]

Mas para executar essa missão, era primeiro necessário abalar os “antigos” princípios cristãos e monarquistas. Foi o que promoveu a maçonaria por meio de diferentes revoluções que ela suscitou durante mais de dois séculos, primeiro na Europa central, depois no mundo. Pouco a pouco, em conformidade com o desejo de Anderson, a religião do Estado foi repudiada, e a era da separação da Igreja e do Estado abriu a porta ao laicismo, ao indiferentismo e, finalmente, ao ateísmo. Mas, visto que não se destrói bem o que se substitui, a maçonaria devia explicitar a natureza precisa dessa “base inteiramente nova”. Frequentemente ela o fez, especialmente por meio dos escritores maçons ANDRÉ LEBEY, EDOUARD PLANTAGENET, ALBERT LANTOINE e OSWALD WIRTH, porta-voz das diferentes correntes maçônicas.

“Essa pseudomística baseia-se acima de tudo no princípio da Democracia; afirma-se, e aí está a chave da abóbada maçônica, que o Grande segredo de certo modo é a eminente Realeza do Homem. É a afirmação da preeminência do homem diante da Revelação. 0 homem, diz a maçonaria, é um Deus possível. Organizamo-lo social, internacional, universalmente e ele poderá prescindir de Deus e do pesadelo que o persegue. E a libertação do homem com relação ao divino…

Pretender possuir a Verdade, formulá-la em dogmas imperativos, impondo-se a fé, corresponde a um regime de tempos passados… Deus é o ideal que o homem carrega dentro de si mesmo. E a concepção que ele pode ter da Verdade, do Justo e do Belo. E o guia superior de suas ações, o arquiteto que preside à construção de seu ser moral… Carregamos dentro de nós um Deus que é nosso princípio pensante…

Resta saber se a maçonaria é, sim ou não, uma religião. Deixará ela de ser uma, porque os altares de seus templos são consagrados ao culto da Liberdade, da Fraternidade e da Igualdade? Tenhamos a coragem de dizermo-nos religiosos e de afirmarmo-nos apóstolos de uma religião mais santa do que todas as outras.” [Ibidem, p. 16-19]

Os Papas condenaram a maçonaria

A Igreja Católica podia ficar indiferente diante da propagação de tais princípios revolucionários? Devia calar-se e recuar diante do erro? Não, os Papas condenaram muito cedo a maçonaria e expuseram à luz do dia seus segredos. Uma declaração de JACQUES MITTERRAND, antigo Grão-Mestre do Grande Oriente da França, indica que apontaram com precisão: “A Igreja Católica não se engana sobre a importância do acontecimento… Pela Bula In Eminenti, o Papa Clemente XII, em 1738, pronunciou a excomunhão dos maçons, denunciando o segredo com o qual eles cercavam a si mesmos e aos seus trabalhos”. [Jacques Mitterrand, obra citada, p. 45.] A Encíclica In Eminenti denuncia, com efeito,

“certas sociedades, assembleias, reuniões, associações ou reuniões clandestinas denominadas maçons… nas quais os homens de toda religião e de toda seita, afetando uma aparência de honestidade natural, se ligam entre si por um pacto tão estreito quanto impenetrável… e se comprometem por um juramento prestado sobre a Bíblia… Se eles não praticassem o mal, não odiariam tanto a luz… Nós os condenamos e os interditamos por nossa presente Constituição válida até a eternidade… Eis porque Nós proibimos formalmente… a todos e a cada um dos fiéis de Jesus Cristo… de entrar nas referidas sociedades da maçonaria, de propagá-las, de recebê-la em suas casas, de aí se inscreverem… sob pena de excomunhão, na qual incorrem todos… por esse mesmo fato (ipso facto) e sem outra declaração; da qual (excomunhão) ninguém pode receber o benefício da absolvição por outro além de Nós, ou do Pontífice Romano então reinante, a não ser em caso de perigo de morte iminente.” [G. Virabeau, Les Papes et la Franc-Maçonnerie, p. 15-17]

Depois de 1738, essas ordens e suas sanções foram guardadas têm sido renovadas sem nenhuma interrupção pelos Pontifícios reinantes. Citamos as encíclicas:

— Providas, de BENTO XIV, de 18/05/1751.

— Ecclesiam, de PIO VII, de 13/09/1821, contra os carbonários.

— Traditi, de PIO VIII, de 24/05/1829, confirmando os anátemas anteriores.

— Qui Pluribus, de PIO IX, de 09/11/1846.

— Quibus Quantisque, do mesmo Papa, de 09/11/1849.

— Humanum Genus, de LEÃO XIII, de 20/04/1884, resumindo e completando os documentos pontifícios anteriores. A maçonaria destrói toda disciplina religiosa e social e abre o caminho para o comunismo.

— Pascendi, de SÃO PIO X, de 08/09/1907, que fala das “sombrias oficinas nas quais se elaboram essas doutrinas deletérias…”

A essa lista deve-se acrescentar a Constituição Apostólica Quo Graviora, de LEÃO XII, de 13/03/1820.

E os Papas não se calaram mais desde 1914. BENTO XV abençoou a obra de MONS. JOVIN, Contra as seitas inimigas da religião, e PIO XI encoraja esse mesmo prelado. PIO XII, em 24 de julho de 1958, denuncia como “raízes da apostasia moderna: o ateísmo científico, o materialismo dialético, o racionalismo, o laicismo, e sua mãe comum: a maçonaria”. [Citado por J. Ploncard d’Assac, Le secret des fracs-maçons, p. 226-227] JOÃO XXIII lembra no Sínodo romano, em 1960: “no que concerne à seita maçônica, os fiéis devem se lembrar de que as penas estipuladas pelo Código de Direito Canônico (cânon 2335) estão sempre em vigor”.

A atitude da Igreja Católica tem sido, pois, clara e sem equívoco desde mais de dois séculos. Os Papas condenaram a seita porque tendia a destruir, ao mesmo tempo, a ordem religiosa e a ordem social cristã. A maçonaria gosta de apresentar-se sob as cores da tolerância mútua, do respeito dos outros e de si mesmo. Ela afirma dever estender a todos os membros da humanidade os laços fraternos que unam os irmãos sobre toda a superfície do globo. Lembra que o maçom tem por dever, em toda circunstância, de ajudar, de esclarecer, de proteger seu irmão, mesmo com perigo para sua vida, e de defendê-lo contra a injustiça. Mas tudo isso não é senão a face externa da seita, a única, aliás, que a maior parte dos maçons conhecem. Seu verdadeiro objetivo é reconstruir a sociedade sobre novas bases, sem NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, é atingir uma religião universal pelo princípio da democracia.

LEÃO XIII não se enganava quando escrevia em sua Encíclica Humanum Genus:

“A seita dos maçons invadiu todos os níveis da hierarquia social e começa a ocupar, no seio dos Estados modernos, um poderio equivalente ao de uma soberania.”

Desde que a seita se encontrou preparada para desenvolver sua ação, conta-se na França: cinco revoluções sangrentas (1789, 1830, 1848, 1870, 1945), quatro invasões estrangeiras (1815, 1870, 1914, 1940), duas desapropriações dos bens da Igreja, expulsões de ordens religiosas, supressão das escolas católicas, laicização das instituições (1789 e 1901), etc… [Dom Lefebvre; Do Liberalismo à Apostasia, p. 62.] Que diria LEÃO XIII à nossa época, na qual todos os governos obedecem aos decretos das lojas!

Ouve-se falar, no entanto, em toda parte, que a maçonaria mudou, que não merece mais as condenações, das quais foi objeto no passado. É absolutamente falso. Não somente PIO XII e JOÃO XXIII lembraram essas sanções, mas, antes do Concílio, podia-se ainda ler nos documentos romanos:

“A maçonaria do rito escocês recai sob a condenação editada pela Igreja contra a maçonaria em geral, e não há motivo algum para conceder uma discriminação em favor dessa categoria de maçons.” [Suprême Congrégation du Saint-Officce, 1946, citado por G. Virabeau.]

“Visto que nada interveio, que seja de natureza a fazer modificar, nessa matéria, as decisões da Santa Sé, as disposições do Direito Canônico conservam sempre seu valor, pouco importa qual forma de maçonaria.” [Même instance, 20 abr. 1949.]

Em 5 de janeiro de 1954, o Santo Ofício condenava uma obra do Grão-Mestre da maçonaria “joanina austríaca”. Em 20 de fevereiro de 1959, a assembleia plenária dos cardeais, arcebispos e bispos argentinos publicava uma declaração recordando a condenação formal sustentada pelos Papas, de CLEMENTE XII a SÃO PIO X, e sublinhava que a maçonaria e o marxismo têm em mira o mesmo fim:

“Para chegar a seus fins, a maçonaria serve-se das Altas Finanças, da Alta Política e da imprensa mundial; o marxismo, este se serve da revolução social e econômica contra a patria, a família, a propriedade, a moral e a religião. Os maçons alcançam seus fins por meios secretos e subversivos. Os comunistas por meios abertamente subversivos.” [G. Virabeau, obra citada, p. 6.]

De sua parte, os maçons marcavam bem sua distância com relação a Igreja, como testemunham estas linhas do IR. GUY VINATREL: “Se devesse haver uma aproximação entre a tolerância maçônica e a intolerância católica, isso só poderia acontecer no sentido de favorecer a tolerância universal”. [J.A. Faucher; A. Ricker, Histoire de la Franc-Maçonnerie en France, p. 469.]

A orientação do Concílio

Até às vésperas do Concílio, a maçonaria não tinha mudado, e nada nos permite crer que ela tenha feito depois. E a Igreja, por sua vez, modificou seu ponto de vista? Eis o que dizem os próprios maçons:

“O Concílio de Roma (Vaticano II), em sua segunda sessão, deixa prever um grande movimento diplomático da Igreja em direção à maçonaria. Ela não surpreende os dirigentes da maçonaria francesa, que já o aguardavam há muito tempo e acreditaram ver, com justos motivos, nas obras de M. Alec Mellor e nas conferências do Pe. Riquet (jesuíta), os esforços preliminares para uma preparação dos espíritos.” [Ibidem, p. 478.]

Essa nova orientação da Igreja é confirmada pelo maçom YVES MARSAUDON, em um livro publicado no final do Concílio:

“No momento em que Pio XII decidiu ele mesmo administrar o mais importante ministério dos negócios estrangeiros, Mons. Montini foi indicado para o cargo, extremamente árduo, do arcebispado da maior diocese da Itália: Milão. Mas não recebeu a púrpura. Tornava-se, não impossível canonicamente, mas tradicionalmente dificil, que por ocasião da morte de Pio XII ele pudesse chegar ao Pontificado Supremo. E, então, que um homem vem e, como Precursor, se chama João e tudo começa a mudar… [Marsaudon, L’oecuménisme vu par um franc-maçon de tradition, p. 42.] Se existe ainda alguns grupos não muito afastados, no modo de pensar, da época da Inquisição, cha serão inevitavelmente afogados na maré cheia do Ecumenismo e do Liberalismo, dos quais, uma das consequências mais tangíveis, será a diminuição das barreiras espirituais que dividem ainda o mundo. De todo o coração, desejamos o bom êxito da ‘Revolução’ de João XXIII.” [Ibidem, p. 26.]

O BARÃO MARSAUDON era o 33° Grande Comendador Honorário do Supremo Conselho da França (Grande Loja), e ministro emérito da Ordem Soberana e Militar de Malta. Conhecera bem DOM RONCALLI quando este último era núncio de Paris. Todavia, é, fora de dúvida, que JOÃO XXIII, era relativamente desconfiado em relação à maçonaria. Eleito Papa, recebeu um telegrama de felicitações de uma loja por seu octogésimo aniversário, mas recomendou à Secretaria de Estado evitar qualquer expressão ambígua em sua carta de agradecimento. [J. Ploncard d’Assac, Le secret des Francs-Maçons, p. 257.] Igualmente, nós já referimos mais acima, sua posição nesse assunto no Sínodo Romano de 1960.

A atitude nova da Igreja se explica pela orientação do Concílio. Desde 1962, Roma adota posições ecumênicas e liberais, que tinham sido há mais de 250 anos as da maçonaria. Por intermédio do CARDEAL BÉA, os maçons obtiveram o decreto sobre a liberdade religiosa e aplaudiram a vitória do falso ecumenismo e da colegialidade. Eles estavam seguros do advento da democracia na Igreja, e daí, pouco a pouco, a realização de uma religião universal.

PAULO VI satisfaz suas esperanças.

Em 1964, durante sua viagem à Terra Santa, sobre o monte das Oliveiras em Jerusalém, abraça o patriarca ATENÁGORAS I, maçom do 33° grau, e, às vésperas do encerramento do Concílio, ambos revogaram as excomunhões fulminadas de 1054.

Em 19 de maio de 1964, o Papa constituía oficialmente o Secretariado para os não cristãos; já desde várias semanas, Os observadores e delegados de diversas religiões cristãs afluíam ao Concílio; seu número chega a cento e três durante a quarta sessão.

Em 13 de novembro de 1964, renuncia à tiara, em seguida dá seu báculo e seu anel ao budista birmanês U’THANT, Secretário Geral da ONU, para socorrer os pobres.

Em 23 de março de 1966, passa às mãos do DR. RAMSEY, arcebispo anglicano de Cantuária, seu novo anel do Concílio, símbolo, para não deixar dúvida, da nova aliança conciliar.

Enfim, em 3 de junho de 1971, recebia em audiência pública, no Vaticano, a loja maçônica dos B’nai B’rith. [L’Osservatore Romano, 3 jun. 1971.]

A atitude de João Paulo II

Após o brevíssimo Pontificado de JOÃO PAULO I, seu sucessor foi eleito em 16 de outubro de 1978… Nós não descobrimos na imprensa nenhuma declaração dos diferentes ramos da maçonaria, para saudar esse acontecimento, mas isso não significa nada. Basta ler os capítulos precedentes para perceber que, por seus atos e seus escritos, o Papa contribuiu, realmente, para a realização do programa maçônico. Concluímos o primeiro capítulo mostrando que, desde 1963, DOM WOJTYLA desejava o reconhecimento pela Igreja, da trilogia “liberdade religiosa, colegialidade e ecumenismo”, e vimos como ele teve em mira esse “ideal” desde sua eleição, e de que maneira o realizou, minuciosamente.

Nós compreendemos melhor no presente o parentesco que liga essa trilogia à divisa maçônica “liberdade, igualdade e fraternidade”. Elas procedem de um fundo comum, e harmonizam-se perfeitamente com sistemas filosóficos nos quais o homem é rei, recusa os dogmas imperativos e é mestre de seu destino. Dessa filosofia, como vimos, o pensamento do Papa está todo impregnado, e isso explica seus “discursos sobre o homem”, pronunciados na tribuna dos organismos maçônicos, tais como a ONU e a UNESCO:

“Todos juntos, vós tendes um poder enorme: o poder das inteligências e das consciências… Determinais fazer prova da mais nobre solidariedade com a humanidade, aquela solidariedade que é fundada sobre a dignidade da pessoa humana. Construís a paz começando pelo fundamento: o respeito de todos os direitos do homem, aqueles que estão ligados tanto à dimensão material e econômica, como à espiritual e interior de sua existência neste mundo. Possa esta sabedoria inspirar-vos.” [João Paulo II na UNESCO, DC, 15 jun. 1980, p. 609.]

Pode-se notar uma diferença real entre essa passagem do discurso na UNESCO e estas linhas do Grande Comendador do Supremo Conselho da França [rito maçônico escocês], CH. RIANDEY?

“Nós estamos intimamente, profundamente, certos de que um novo humanismo será engendrado, que, sobre a base dessa tradição comum a toda tendência espiritual, que integrará as aspirações superiores de todos os povos, o conhecimento adquirido, os modos de vida resultantes das técnicas e que conduzirão, enfim, nosso mundo à unidade à qual ele é destinado.” [Marsaudon, obra citada, p. 17.]

Esse humanismo já não está engendrado? Não se realiza todos os dias debaixo dos nossos olhos? Em 18 de abril de 1983, JOÃO PAULO II declarava aos maçons da Trilatérale, que recebia em audiência pública:

“E com prazer que me encontro com os membros da Comissão Trilatérale… Neste momento faço-me uma pergunta, e faço-a igualmente a vós: por que a situação geral das relações norte-sul é mais alarmante no final da primeira terça parte do terceiro decênio do desenvolvimento, do que era no princípio dos anos sessenta? Por que a separação entre ricos e pobres aumenta cada vez mais? Para responder a isto, pode-se apontar, antes de tudo, a crise da energia dos anos setenta, que colocou o mundo desenvolvido diante de um número crescente de déficits sociais. Permita-me mencionar, para completar esta resposta, a falta de atenção a um dos principais temas da Populorum Progressio: ‘O desenvolvimento integral da pessoa humana’ (n. 6).

É ilusório visar unicamente o desenvolvimento material; tudo, inclusive o dinamismo da produção e do lucro, enraiza-se na percepção da dignidade humana. Sem se apegar a essa dignidade humana todos os esforços feitos em favor do desenvolvimento serão sabotados. Além de que, criar condições sociais, culturais e espirituais que protejam os homens de toda situação de opressão, exploração e dependência degradante, garante o sucesso dos projetos de desenvolvimento. Em uma palavra, procurar fazer mais, saber mais e ter mais, no desejo de ser mais.” [DC, n. 1852, p. 516.]

Já demonstramos a propósito da liberdade religiosa que não há dignidade fora da verdade: porque a dignidade consiste na adesão de nossa inteligência e vontade à verdade e ao bem. O Papa termina essa alocução lembrando novamente o papel principal da “pessoa humana”, mas, nem uma só vez ele falou de JESUS CRISTO.

“Quero pedir-vos, insistentemente, seguir com boa vontade vossos esforços e vossas pesquisas sem jamais negligenciar ou transgredir a dimensão moral das relações internacionais, e tudo fazer a serviço da pessoa humana… E que Deus, o Criador da pessoa humana e o Senhor da vida, torne eficaz vossa contribuição à humanidade e coloque a paz nos nossos próprios corações.”

De que paz se trata? Da paz de JESUS CRISTO ou da paz do mundo?

“Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz, eu não vo-la dou como o mundo a dá”. [Jo 14, 17.]

Alguns meses mais tarde, em 22 de março de 1984, o Papa recebia os representantes da seita maçônica judaica B’nai B’rith. A alocução que lhes dirige resume bem a mudança profunda da atitude da Igreja acerca da maçonaria:

“Caros Amigos,

Estou muito feliz por acolher-vos no Vaticano. Sois um grupo de dirigentes nacionais e internacionais da Associação judaica bem conhecida, cuja sede se localiza nos Estados Unidos, mas cuja atividade se estende a diversos países, nela compreendendo até Roma, a Liga B’nai B’rith contra a difamação. Vós estais também estreitamente ligados à Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, aqui fundada, há dez anos por Paulo VI, com o fim de favorecer as relações entre a Igreja Católica e a comunidade judaica, no nível do comprometimento que vossa fé nos dita respectivamente.

O simples fato de vossa visita, a qual vos agradeço, é, em si, uma prova do desenvolvimento e do aprofundamento constante dessas relações.

Na verdade, quando se olha o passado, os anos que precederam o Concílio Vaticano II e sua declaração ‘Nostra Aetate’, e se tenta analisar o trabalho executado desde então, tem-se a impressão de que o Senhor fez por nós ‘grandes coisas’ (Lc 1,49). Somos convidados a nos unir numa sincera ação de graças a Deus. O versículo de abertura do Salmo 132 vem a propósito: ‘Oh! Como é bom, como é agradável habitarem os irmãos juntos’. Na verdade, meus caros amigos, como digo, frequentemente, desde o começo do meu trabalho pastoral como sucessor de Pedro, o pescador da Galileia (cf. alocução de 12/04/1979), o encontro entre católicos e judeus não é o encontro de duas religiões antigas que têm em mira cada uma seu caminho, e, tantas vezes no passado, conheceram conflitos graves e dolorosos. E um encontro entre ‘irmãos’, um diálogo, como disse aos representantes da comunidade judaica da Alemanha, em Mayence, [no dia 11 nov. 1980] entre a primeira e a segunda parte da Bíblia. Da mesma maneira que as duas partes da Bíblia são distintas, mas estreitamente ligadas, da mesma maneira, o povo judeu e a Igreja Católica.” [DC, n. 1874, p. 509.]

Essa declaração lembra imediatamente as conversas mantidas com O PE. MALINSKI: “A Igreja quer empreender o diálogo com os representantes dessas religiões. E, aqui, o Judaísmo ocupa um lugar absolutamente particular”. Lembraremos esta frase carregada de gravíssimas consequências: “… o encontro entre católicos e judeus não é o encontro de duas religiões antigas…”. Ainda dessa vez, o Papa termina sua alocução sem falar de JESUS CRISTO:

“Este conhecimento mútuo nos faz descobrir ainda mais o que noy une numa solicitude profunda pela união da humanidade, por exemplo, em domínios, tais como: a luta contra a fome, a pobreza, a discriminação em toda parte onde exista e o respeito não importa a quem, e o socorro aos refugiados. E certo que a grande tarefa para a promoção da justiça e da paz é o sinal da era messiânica tanto na tradição judaica, como na tradição cristã, a qual se enraiza na grande herança dos profetas. Esse ‘vínculo espiritual’ permite fazer frente ao grande desafio lançado àqueles que creem que Deus ama todos os homens, que os criou à Sua imagem (Gn 1, 27).”

“Eu vejo isso, ao mesmo tempo, como uma realidade e como uma promessa do diálogo entre a Igreja Católica e o Judaísmo, e das relações que já existem entre vossa organização e a Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo e com outras instituições em certas igrejas locais… Eu vos agradeço ainda vossa visita e o vosso comprometimento com o diálogo e os fins que pretende. Sejamos reconhecidos ao nosso Deus, Pai de todos nós.” [DC, n. 1874, p. 510]

O que resta da religião Católica? Temos sob os olhos um esboço desse “denominador comum” de todas as religiões desejado pela maçonaria. A Igreja faz incessantemente concessões, recua sempre mais. Para não ofender a dignidade humana, separa-se da sua doutrina, ela disfarça e oculta as verdades com as quais deveria iluminar as almas e o mundo.

JOÃO PAULO II manifesta outra vez sua posição conciliadora ante a maçonaria, promulgando em 1983 o novo Código de Direito Canônico. O cânon 2.335 do antigo Código dizia:

“Aqueles que dão seu nome a uma seita maçônica ou a outras associações do mesmo gênero, que conspira contra a Igreja ou contra os poderes civis legítimos, incorrerem ipso facto na excomunhão simplesmente reservada à Sé Apostólica”.

Ele é modificado e substituído pelo novo cânon 1.374:

“Quem dá seu nome a uma associação que conspira contra a Igreja, deve ser punido com justa pena: o promotor ou dirigente de tal associação deve ser punido e interditado.”

O PE. MICHEL RIQUET, jesuíta, que em abril de 1961 foi o primeiro orador eclesiástico a discursar na Loja de Laval, fez o seguinte comentário: “Como se vê, o novo cânon 1374 não menciona mais a maçonaria. Além disso, não mantém a excomunhão ipso facto”. A mudança foi um pouco rápida, se bem que às vésperas da entrada em vigor do cânon, 26/11/1983, a Congregação para a

Doutrina da Fé recordou:

“O julgamento negativo da Igreja às associações maçônicas permanece inalterável, porque seus princípios foram considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja, e a inscrição nessas associações fica interditada pela Igreja. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem receber a Santa Comunhão. As autoridades eclesiásticas locais não têm competência para se pronunciar sobre a natureza das associações maçônicas por um julgamento que implicaria uma derrogação ao que foi afirmado acima…” [DC, n. 1865, p. 29.]

Mesmo se esse documento lembre que os princípios maçônicos são incompatíveis com a doutrina católica, a Igreja não excomunga mais os maçons, eles são unicamente considerados pecadores públicos semelhantes às concubinas, por exemplo. Nada é dito sobre suas exéquias e, de fato, muitos deles são, hoje, enterrados publicamente pela Igreja.

É assim que La Croix, de 23 de maio de 1985, anuncia os funerais religiosos do Mestre RICHARD DUPUY, antigo Grão-Mestre da Grande Loja da França. Esse artigo lembra que “as censuras, que outrora interditavam, expressamente, dar aos maçons arrependidos funerais religiosos, foram ab-rogadas pelo novo Código de Direito Canônico”.

No artigo “As exéquias religiosas de M. Baroin”, de 11 de fevereiro de 1987, La Croix regozija-se de que o sepultamento do antigo Grão-Mestre do G. O. da França teve lugar na Paróquia São Francisco de Sales, em Paris. O anúncio apareceu no Le Monde, de 7 de fevereiro:

O presidente e os membros do escritório do Círculo de Paris

Associação Maçônica interobediente

Têm a dor de vos participar da passagem ao “Or∴ E∴ de seu B∴ A∴ e Il∴ F∴

Michel BAROIN

Convidam seus membros e amigos a comparecerem em grande número às cerimônias de suas exéquias.

Lugar de meditação: segunda-feira, 9 de fevereiro

Rua de Lasteyric, 4, em Paris 16°

A partir das 19:00h, até terça-feira, 10 de fevereiro, às 11:30h

Exéquias oficiais: quinta-feira, 12 de fevereiro, às 9:30h

Igreja de São Francisco de Sales, Rua Ampère, 15

Paris XVII

Lastimemos! Lastimemos! Lastimemos!

E esperemos.

Le Monde, de terça-feira, 10 de fevereiro de 1987, nos informa enfim que teve lugar nos dias 7 e 9 de fevereiro de 1987, em Toulouse, um colóquio inédito sobre a história das relações entre a Igreja Católica e a maçonaria:

“Todas as lojas foram convidadas… até o Grão-Mestre da Grande Loja Simbólica da Espanha se deslocou até lá. Entre duzentos participantes notavam-se uns vinte eclesiásticos (o arcebispo de Toulouse enviou seu vigário geral) e uma ligeira maioria de maçons, sobretudo de universitários.”

Todos esses fatos manifestam claramente que a posição de Roma mudou, e que JOÃO PAULO II se afasta, uma vez mais, de seus predecessores, exceto PAULO VI. De que serve, afinal, condenar o aborto, a eutanásia, a contracepção, se se recebe e encoraja-se associações que propagam essas práticas no seio da vida social, na maior parte dos países do mundo? O diálogo, o respeito à falsa dignidade humana, levaram mais uma vez ao abandono dos princípios.

Conclusão

O que dizer na conclusão da primeira parte deste estudo? Os fatos falam por si mesmos. Os princípios humanistas e liberais, propagados pela maçonaria desde o início do século XVIII, conquistaram pouco a pouco os espíritos — espíritos eclesiásticos — e terminaram se impondo por ocasião do Concílio. Foi o que se chamou “a vitória dos liberais”. A partir de 1960, a Igreja se empenha em aproximar-se das outras religiões e a favorecer a “descentralização” de seu governo.

Vimos aonde isso levou. A partir de 1978, o Papa aplicou esse programa sempre com mais convicção, sendo nisso fiel à formação filosófica recebida. Pouco a pouco se desenha no horizonte a constituição de uma religião universal — da qual Assis é somente a primeira pedra —, e uma democracia universal ativamente preparada por organismos como a ONU.

Veremos na segunda e terceira partes desta obra as realizações práticas do Papa nessas duas direções. Todavia antes de tratar desse assunto, podemos abordar uma questão grave e premente: a formação filosófica do Papa basta para explicar sua adesão persistente às ideias maçônicas? Sabemos que MIECZYSLAW KOTLARCZYK leu e meditou os textos da tradição teosófica de HELENA BLAVATSKY, a fim de elaborar sua síntese pessoal sobre a relação entre as palavras e as coisas. Ora, essa senhora mantinha relações pessoais estreitas com a maçonaria. E a senhora BESANT, segundo membro fundador da teosofia, nela obtém rapidamente os mais altos graus e as mais altas funções, visto que foi venerável de honra da Loja de Londres. [Léon de Poncins, obra citada, p. 281.]

Os textos que KOTLARCZYK meditou deviam assemelhar-se a estas linhas que RENE GUÉNON escreveu sobre o espírito da teosofia:

“Quando está falando do Cristo, é num sentido místico, e desse modo é preciso entender que se trata unicamente de um princípio interior que cada um deve com esforço descobrir e desenvolver em si mesmo… Os “cristos” são seres que conseguiram desenvolver em si mesmos certos princípios superiores existentes dentro de todo homem, em estado latente.” [Ibidem, p. 273.]

Suas leituras inspiravam-se, igualmente, no ocultismo oriental da senhora BLAVATSKY e da senhora BESANT, da qual, eis aqui, uma declaração:

“O cristianismo esotérico e a co-maçonaria aparecem… como as duas faces complementares de um mesmo empreendimento. Que se recorde também da pretensão que a maçonaria tem, de um modo geral, de constituir um vínculo entre todos os povos e entre todos os cultos… Agora, o que devemos fazer é entrar num período construtivo, durante o qual a sociedade teosófica se esforçará para fazer-se o centro da religião do mundo, religião da qual o Budismo, o Cristianismo, o Islamismo e todas as outras seitas são as partes integrantes. Com efeito, consideremos… que nós representamos, sozinhos, a Igreja Universal eclética e realmente católica, reconhecendo como irmãos e como fiéis todos aqueles que, sob cada forma de culto, buscam a verdade e a justiça.” [Déclaration de Mme. Besant, out. 1897, citada por Léon de Poncins, p. 283.]

Em que medida KOTLARCZYK aderiu ao espírito teosófico? De que maneira esse pensamento ocultista e maçônico se exerceu sobre o jovem WOJTYLA no teatro rapsódico de Cracóvia? Não saberemos provavelmente jamais. No entanto, os textos, que acabamos de citar, estabelecem uma ligação estreita entre a formação do Papa e os falsos princípios maçônicos: “O Cristo… é num sentido místico… unicamente um princípio interior que cada um deve com esforço descobrir e desenvolver em si mesmo…”. A sociedade teosófica “se esforçará para fazer-se o centro da religião do mundo”. Todavia é preciso acrescentar que JOÃO PAULO II não é, sem dúvida, um maçom. Os papéis secretos da Alta Loja dos Carbonários que, no último século, CRÉTINEAU-JOLY publicou, a pedido de GREGÓRIO XVI, nos dão a razão:

“O Papa, qualquer que ele seja, não virá jamais às sociedades secretas; cabe às sociedades secretas dar o primeiro passo até a Igreja, com o fim de vencer a ambos [ao Papa e à Igreja]. A tarefa que vamos empreender não é obra de um dia, nem de um mês, nem de um ano: pode durar vários anos, um século talvez: mas em nossas fileiras o soldado morre e o combate continua. Não pretendemos ganhar os Papas para a nossa causa. Bastaria a ambição para os conduzir à apostasia, a necessidade do poder os forçará a nos imolar… O que devemos procurar e esperar, tal como os judeus esperam o Messias, é um Papa segundo as nossas necessidades… Para se chegar a esse Papa, trata-se de preparar, uma geração digna do reino que sonhamos… Vamos à juventude. Dentro de alguns anos, esse jovem clero terá, pela força das circunstâncias, invadido todas as funções: governará, administrará, julgará, formará o conselho do soberano, será chamado a escolher o Pontífice que deverá reinar, e esse Pontífice, como a maioria de seus contemporâneos, estará, necessariamente, mais ou menos impregnado dos princípios humanitários que começaremos a colocar em circulação… Se quereis revolucionar a Itália, buscai o Papa do qual acabamos de fazer o retrato. Se quereis estabelecer o reino dos eleitos sobre o trono de prostituta da Babilônia, que o clero marche sob o vosso estandarte, acreditando sempre marchar sob a bandeira dos chefes apostólicos… Estendei vossas redes… no fundo das sacristias, dos seminários, dos conventos… vós tereis pregado uma Revolução com tiara e pluvial, marchando com a Cruz e a bandeira, uma Revolução que não tera necessidade senão de ser instigada um pouquinho para atear fogo nos quatro cantos do mundo.” [Mons. Delassus, La Conjuration antichrétienne, tomo III, p. 1040-1046.]

“Um Papa segundo as nossas necessidades… uma revolução com tiara e pluvial”. Não é isso o que vivemos hoje?

Excerto de: DANIEL LEROUX, Pedro, tu me amas?, Edições do Mosteiro da Santa Cruz, pp. 131-153.

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.

Acima ↑