OS PAGÃOS ADORAM O DEUS VERDADEIRO SEM SABÊ-LO?

Uma leitura do discurso de São Paulo aos Atenienses

Novus Ordo Watch
2023

No décimo sétimo capítulo dos Atos dos Apóstolos, encontramos São Paulo discursando aos habitantes pagãos de Atenas, na Grécia. A cidade está imersa na idolatria, e o santo Apóstolo nota um altar dedicado “ao deus desconhecido”. Ele usa isso como uma oportunidade para pregar aos Atenienses o verdadeiro Deus, que efetivamente ainda não conhecem, mas que aparentemente estão dispostos, embora confusamente, a adorar.

Esse incidente é, por vezes, empregado pelos apologistas do Novus Ordo para apoiar a visão positiva do paganismo que a religião do Vaticano II vem promovendo, e ninguém mais do que Jorge Bergoglio, o homem também conhecido como “Papa Francisco”. Mas será que isso é justificado?

Vejamos o que diz o texto divinamente inspirado, primeiro na tradução de Douay-Rheims e depois na tradução de Dom Ronald Knox. Os versículos 22 e 23 são os mais pertinentes, e foram destacados por nós:

Ora, enquanto Paulo os aguardava em Atenas, o seu espírito se agitava dentro dele, vendo que a cidade estava totalmente entregue à idolatria. Disputava, pois, na sinagoga com os judeus e com os que serviam a Deus, e no foro, todos os dias, com os que ali estavam. E alguns filósofos, entre os epicuristas e os estóicos, disputavam com ele; e alguns diziam: Que quer dizer este semeador de palavras? Outros, porém, diziam: Parece que ele é um anunciador de novos deuses, pois lhes pregava Jesus e a ressurreição. E, tomando-o, levaram-no ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? Porque nos apresentas certas novidades aos nossos ouvidos. Queremos, pois, saber o que significam essas coisas (ora, todos os Atenienses e estrangeiros que ali se achavam não se ocupavam de outra coisa senão de dizer ou ouvir alguma novidade). Mas Paulo, encontrando-se no meio do Areópago, disse: Homens atenienses, vejo que em tudo sois muito supersticiosos. Pois, passando e vendo os vossos ídolos, achei também um altar, no qual estava escrito: Ao Deus desconhecido. Portanto, o que vós adorais, sem sabê-lo, é o que eu vos anuncio: Deus, que fez o mundo e todas as coisas que nele há, o qual, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens, nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa; porque é Ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas: E de um só fez todo o gênero humano, para habitar sobre toda a face da terra, estabelecendo tempos determinados e os limites de sua habitação. Para que busquem a Deus, se porventura o procurarem ou o encontrarem, embora ele não esteja longe de cada um de nós: Com efeito, n’Ele vivemos, e nos movemos, e existimos, como também disseram alguns dos vossos poetas: Pois também somos sua descendência. Sendo, portanto, a descendência de Deus, não devemos supor que a divindade seja semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, à gravura da arte e ao artifício do homem. E Deus, em verdade, tendo olvidado os tempos dessa ignorância, agora declara aos homens que todos devem fazer penitência em toda parte. (Atos 17, 16-30; tradução de Douay-Rheims)
E enquanto Paulo os esperava em Atenas, seu coração se comoveu ao ver que a cidade estava tão entregue à idolatria, e ele discutia, não apenas na sinagoga com os judeus e adoradores do Deus verdadeiro, mas no foro, com todos que encontrava. Ele encontrou filósofos, estóicos e epicuristas, alguns dos quais perguntaram: Qual será o seu desvio, esse viciado?, enquanto outros diziam: Parece que ele está proclamando deuses estrangeiros, pois lhes havia pregado sobre Jesus e a ressurreição. Então o tomaram pela manga e o conduziram ao Areópago. Perguntamos, disseram eles, que nova doutrina é essa que estás dando? Apresentas termos estranhos aos nossos ouvidos; rogamos-te que nos digas qual é o seu sentido (nenhum habitante de Atenas, ou estrangeiro que a visite, tem tempo para outra coisa que não seja dizer ou ouvir algo novo). Paulo, pois, levantando-se à vista do Areópago, disse: Homens atenienses, para onde quer que eu olhe, vejo que sois escrupulosamente religiosos. Examinando os vossos monumentos, ao passar por eles, encontrei, entre outros, um altar que trazia a inscrição: Ao Deus desconhecido. E é esse objeto desconhecido de sua devoção que estou revelando a vós. O Deus que fez o mundo e tudo o que há nele, aquele Deus que é o Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por nossas mãos; nenhum artefato humano pode servi-lo, como se ele precisasse de alguma coisa, Ele, que dá a todos nós vida, respiração e tudo o que temos. Foi Ele quem criou, de um único tronco, todas as nações que deveriam habitar sobre toda a face da Terra. E deu a cada uma delas os ciclos pelos quais deveriam passar e os limites fixos de sua habitação, deixando-as à procura de Deus; será que, de algum modo, tateariam o caminho até Ele? Será que o encontrariam? E, no entanto, afinal de contas, Ele não está longe de nenhum de nós; é n’Ele que vivemos, nos movemos e temos nosso ser; daí que alguns de seus próprios poetas disseram-nos: Pois, em verdade, somos seus filhos. Então, se somos filhos de Deus, não devemos imaginar que a natureza divina possa ser representada em ouro, prata ou pedra, esculpida pela arte e pelo pensamento do homem. Deus cerrou os olhos para essas nossas loucuras passageiras; agora, Ele conclama todos os homens, em todos os lugares, ao arrependimento. (Atos 17, 16-30; tradução de Knox)

Como devemos entender essas palavras de São Paulo no versículo 22 e especialmente no versículo 23? Devemos acreditar que os pagãos de Atenas já estavam adorando a Santíssima Trindade e simplesmente não se davam conta disso? Isso é concebível, haja vista que eles estavam mergulhados na idolatria, ou seja, na adoração de falsas divindades, meras criaturas?

A resposta curta é: Os fatos históricos não são totalmente nítidos quanto à identidade do “deus desconhecido” que os Atenienses tinham em mente e, portanto, diferentes autoridades bíblicas católicas expressaram opiniões divergentes a esse respeito.

Por exemplo, o Comentário Católico às Sagradas Escrituras, de 1953, editado pelo padre beneditino Bernard Orchard (1910-2006), explica: “Pausânias e outros registram que havia vários altares para deuses desconhecidos em Atenas. O altar era erguido para qualquer deus que precisasse ser agradecido ou aplacado. São Paulo toma o título em um sentido místico e se defende da acusação de propor novos deuses…” (p. 1038; n. 838d).

Em outras palavras, segundo esse ponto de vista, São Paulo não quis dizer que os idólatras atenienses estavam literalmente adorando o Deus verdadeiro além de seus ídolos, mas simplesmente se valeu do reconhecimento dos pagãos de que poderia haver um deus que eles ainda não conheciam e de sua disposição para adorá-lo, como uma maneira de apresentá-los ao único Deus verdadeiro, que eles realmente ainda não conheciam, mas que pareciam não estar indispostos a adorar.

Mais luzes são lançadas sobre Atos 17, 22-23 no popular comentário bíblico do Padre George L. Haydock (1774-1849), que apresenta as seguintes considerações:

Versículo 22. Hiper-religioso. Ou muito supersticioso. Ser supersticioso, ou dado à superstição, é comumente considerado como um culto religioso vão e infundado, mas também é por vezes empregado em um bom sentido. E talvez São Paulo, no início de seu discurso a tantos homens eruditos, não os censure tão abertamente por serem vã e tolamente supersticiosos, mas, por sua inscrição, ao Deus desconhecido, ele nota quão bons e precisos pretendiam ser, não deixando de prestar algum tipo de honra a qualquer deus, ou deuses de todas as outras nações, que talvez não conhecessem. Com efeito, alguns intérpretes pensam que, mediante esse altar, eles pretendiam adorar todo deus de qualquer nação que não fosse de seu conhecimento; ou adorar aquele grande Deus mencionado nos escritos de Platão; ou, como outros conjecturam, aquele Deus dos judeus, de quem eles poderiam ter ouvido tais maravilhas, e cujo nome os próprios judeus diziam ser desconhecido e inefável. Entretanto, a partir dessa inscrição, São Paulo se vale, com maravilhosa destreza, de sublimes reflexões e daquela sólida eloquência, da qual era mestre e que empregava, sempre que necessário, para informá-los e instruí-los acerca das obras do único Deus verdadeiro, do qual tinham pouco conhecimento, por sua própria culpa: que esse único Deus verdadeiro fez o mundo e todas as coisas nele: que de um homem criou toda a humanidade: que sua presença não se limita aos templos feitos pelas mãos dos homens, estando em todos os lugares e em todas as criaturas, conservando-as a cada momento; que n’Ele vivemos, nos movemos e temos nosso ser ou subsistir; que foi Ele quem determinou o tempo, os limites ou as fronteiras de todo império e reino e da vida de todo homem; que esse Deus verdadeiro, que fez, conserva e governa todas as coisas no céu e na terra, não pode ser comparado ao ouro, à prata ou a qualquer coisa feita pela arte ou fantasia dos homens. Lembra-lhes que, segundo um de seus próprios poetas pagãos, Arato, os homens são descendentes de Deus, sendo abençoados com um ser e um conhecimento acima de todas as outras criaturas deste mundo; que, à luz da razão, deveriam buscar a Deus e, considerando os efeitos visíveis da Providência sobre o mundo e as criaturas nele existentes, poderiam chegar ao conhecimento desse único Deus, o autor de tudo, ao menos a um conhecimento imperfeito d’Ele, como os homens descobrem as coisas através da sensação ou, por assim dizer, tateando no escuro. Ele então acrescenta (versículo 30) que, tendo, de certo modo, negligenciado e permitido que os homens, por muitas eras, continuassem nessa ignorância e cegueira, como punição por seus pecados (sendo essa ignorância do único Deus verdadeiro, o autor de todas as coisas, intencional e indesculpável), agora o mesmo Deus verdadeiro se apraz em anunciar a todos os homens que doravante eles o reconheçam e o adorem, que se arrependam e façam penitência por seus pecados (Witham).
Versículo 23. Pode-se perguntar: por que eles não tinham fé implícita, adorando o Deus verdadeiro, embora desconhecido? Primeiro, porque a adoração do Deus verdadeiro nunca pode existir com a adoração de ídolos; segundo, porque uma fé explícita em Deus é exigida de todos; terceiro, porque repugna à fé implícita admitir qualquer coisa contrária a ela, como comparar esse Deus desconhecido com os ídolos pagãos; pois Deus, para ser, deve ser um só. (…)
– Portanto, o que vós impropriamente adorais, prego-vos e instruo-vos no verdadeiro culto, muito diferente daquele que prestais aos vossos deuses estranhos. (Comentário Bíblico de Haydock a Atos 17; itálicos do original; negrito nosso).

Talvez o melhor, ou ao menos o mais substancial, comentário à Sagrada Escritura seja o do Padre Cornélio a Lápide (1567-1637). O estudioso jesuíta compilou um comentário baseado nas melhores autoridades teológicas para cada livro da Bíblia, exceto Jó e os Salmos.

Lamentavelmente, a maior parte de seu comentário nunca foi publicada em inglês, e isso inclui os Atos dos Apóstolos. A fim de disponibilizar o comentário do Padre Lápide aos Atos 17, 22-23 em inglês, a Novus Ordo Watch contratou um especialista em latim eclesiástico para traduzir a parte pertinente, especificamente para publicação neste site.

A exposição do Padre Lápide de Atos 17, 22-23 não é uma leitura simples; portanto, citaremos apenas alguns trechos aqui, enquanto o texto completo está disponível neste link.

Assim, Paulo diz: Vejo que vós, ó Atenienses, em todas as circunstâncias sois excessivamente religiosos e supersticiosos, pois [em todas as circunstâncias] vejo os vossos deuses, ofertas, sacrifícios, lumes; contudo, em primeiro lugar, essas divindades são falsas; em segundo lugar, [são] demasiadas; em terceiro lugar, [são] desconhecidas. Com efeito, nenhum homem adora sabiamente aquilo que não conhece e com o qual não está familiarizado. Portanto, vim a este lugar de modo a transformar sua superstição em verdadeira religião, para que, em lugar de falsos deuses, vós possais reconhecer e adorar o verdadeiro [Deus]; ao invés de muitos [deuses], o único [Deus]; ao invés de [deuses] desconhecidos, o incontestável e conhecido [Deus].
(…) Vós perguntareis: quem é esse Deus desconhecido? Primeiro, São João Crisóstomo e, mais precisamente, [o exegeta] Ecumênio, cujas palavras dignas de nota anexarei aqui, respondem: “[As fontes] relatam”, diz [Ecumênio], “que há duas razões pelas quais entre os Atenienses ‘Ao Deus Desconhecido’ foi escrito no altar, haja vista que alguns dizem que os Atenienses enviaram Filipides aos espartanos para trazer ajuda quando os persas estavam conduzindo seu exército para a Grécia. Nas proximidades do Monte Partenon, a aparição do [deus] Pã, surgida no caminho de seus [isto é, dos Atenienses] mensageiros, repreendeu os Atenienses por estarem adorando outros deuses, enquanto eles não lhe davam qualquer atenção, e prometeu ajuda. E assim, quando obtiveram a vitória, erigiram um templo para ele e construíram um altar; e estando atentos para que a mesma coisa ou algo semelhante não lhes ocorresse caso negligenciassem qualquer Deus desconhecido para eles, erigiram aquele altar [isto é, de Atos 17, 23], inscrevendo-o ‘Ao Deus desconhecido’, dizendo: Se algum outro [deus] ainda nos for desconhecido, este altar será erigido por nós em sua honra, para que ele nos seja bem disposto, ainda que, sendo ele desconhecido, não seja adorado. E, após terem oferecido sacrifícios, foram imediatamente curados. Por isso, Paulo diz que Cristo Jesus é o Deus de todos, [Aquele] que [Paulo] disse que estava proclamando a eles. No entanto, esta é a inscrição completa: (…) ‘aos deuses da Ásia, da Europa e da Líbia, ao Deus desconhecido e estrangeiro’.”
Todavia, como [o historiador eclesiástico] Cardeal César Barônio corretamente observa, em Atenas havia muitos altares com inscrições no plural para deuses desconhecidos, mas um em particular tinha a inscrição “Ao Deus Desconhecido”. De fato, Paulo sustenta isso.
Segundo, [o teólogo] Hugo de São Vítor, [o exegeta] Nicolau de Lira, e [o intérprete bíblico jesuíta] Gaspar Sánchez, e também [o sacerdote] Miguel Sincelo, em Laudes s. Dionysii [“Encômio de São Dionísio, o Areopagita”] pensam que o Deus Desconhecido em Atenas era Cristo crucificado. Pois quando Dionísio viu o eclipse produzido pela morte e devido à morte de Cristo, ele gritou em voz alta: “O Deus desconhecido sofre na carne, e por isso o mundo se torna indistinto na escuridão”, diz Sincelo. Portanto, [ele diz que] o Deus desconhecido é o Deus sofredor, ou seja, Cristo crucificado. Com efeito, os Atenienses haviam erigido um altar para Ele em frente aos outros [deuses], pois consideravam-no o Grande Deus, por quem a natureza havia realizado solenes ritos fúnebres expiatórios mediante uma maravilhosa alteração [astronômica] e luto celestial.
(…) Vós direis: Por que, então, [Paulo] os chama de supersticiosos? Respondo: Primeiro, porque, juntamente com o Deus desconhecido, eles adoravam as estátuas dos pagãos e as consideravam iguais a Ele, em consonância com o [versículo] 40, 25 de Isaías: “A quem me considerastes semelhante e me fizestes igual? Segundo, porque chamavam-no de desconhecido, pois ninguém adora ou ama aquilo que não conhece. Deve-se ter certeza de que “não há nenhum desejo especial pelo desconhecido”. Terceiro, porque eles realmente não o conheciam, como podiam e tinham a obrigação [de fazer]. Com efeito, não reconheceram que Ele é o criador dos céus e da terra, o doador da chuva, da colheita, dos frutos [da terra] e de todas as coisas; que Ele está presente em toda parte; que nossa vida e nossa respiração estão em Suas mãos; por isso Paulo os instrui a respeito dessas questões. Por fim, o demônio poderia esconder-se e ocultar-se sob o nome de “o Deus desconhecido”; do mesmo modo que [o historiador da Igreja] Nicéforo Calisto Xantópulo, no livro II [de sua Historia ecclesiastica], aponta [para o fato] de que os Argonautas ergueram uma estátua para a divindade que os dirigia, e depois São Miguel Arcanjo fez saber a Constantino, o Grande, que ele [o Arcanjo] os havia dirigido. Assim, Cristo, em João 4, 22, acusou os samaritanos: “Vós reverenciais o que não conheceis; nós reverenciamos o que conhecemos”. 

Embora existam diferentes interpretações possíveis quanto ao “deus desconhecido” ser o verdadeiro Deus, do qual os Atenienses tinham apenas um conhecimento muito tênue e obscuro, o que é evidente é que Atos 17 não pode ser utilizado para apoiar uma visão positiva do paganismo, da idolatria. Mesmo que optemos pela opinião de que os Atenienses estavam tentando adorar o Deus verdadeiro, é certo que seu culto era impróprio e inaceitável.

Para Jorge Bergoglio, porém, qualquer pagão que viva harmoniosamente com a natureza e siga sua consciência [por esse mesmo fato] já presta a Deus “culto aceitável”. Em uma carta de 21 de junho de 2018 ao “arcebispo” de Quebec, o “cardeal” Gérald Lacroix, o falso papa escreve o seguinte acerca da culto a Deus pelos povos indígenas aos quais o Evangelho nunca foi pregado:

Por essa razão, embora ignorantes do verdadeiro Deus, “pelas coisas criadas” (Rm 1, 20), Suas coisas invisíveis sendo compreendidas, muitos nativos que viviam em harmonia com toda a natureza e praticavam o bem segundo a consciência ofereceram-Lhe culto aceitável [acceptum cultum]. Contudo, desejando revelar-se a eles com mais clareza e certeza, o Senhor Jesus “estabeleceu Sua Igreja como o sacramento da salvação e enviou Seus Apóstolos ao mundo inteiro (…), ordenando-lhes: ‘Ide, pois, ensinai as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado’ (Mat 28, 19-20)” [Vaticano II, Decreto Ad Gentes, 5]. A Igreja é fielmente zelosa no cumprimento dessa obra missionária. (Antipapa Francisco, Carta ao “Cardeal” Gérald Lacroix, 21 de junho de 2018; negrito nosso)

Observe como Francisco fala dos indígenas: “praticavam o bem segundo a consciência”; como se a consciência subjetiva fosse a norma última a ser seguida (vimos na prática como os canadenses indígenas agem segundo sua consciência na cerimônia pagã de purificação de 28 de julho de 2022, da qual Francisco participou).

Contraste as ideias de Bergoglio com a maneira como o Papa Pio IX falou sobre aqueles que padecem de uma ignorância invencível:

Há, é verdade, aqueles que padecem de uma ignorância invencível a respeito de nossa religião mais sagrada. Observando sinceramente a lei natural e seus preceitos inscritos por Deus em todos os corações e prontos para obedecer a Deus, eles vivem vidas honestas e são capazes de alcançar a vida eterna pela virtude eficaz da luz e graça divinas. (Papa Pio IX, Encíclica Quanto Conficiamur Moerore, nº. 7)

Pio IX deixa claro que o padrão que os infiéis invencíveis e ignorantes devem seguir é a lei natural, ou seja, a lei de Deus conforme promulgada pela natureza e discernível pela razão. Entretanto, isso por si só não os justifica, pois a salvação requer não apenas uma bondade natural, mas uma que seja sobrenatural: As virtudes sobrenaturais da fé, esperança e caridade são absolutamente indispensáveis para alcançar a Visão Beatífica, e essas virtudes não podem ser obtidas sem a graça de Deus, pois são um dom e não algo que possamos merecer (cf. Denz. 813). Assim, Pio IX fala da necessidade da “luz e graça divinas”, que Deus concederá cada vez mais àqueles que o buscarem sinceramente e cooperarem com as graças já recebidas. Negar isso e, ao contrário, pregar a salvação pelas obras, à parte da graça, é heresia (cf. Denz. 811).

O [que é] pior é que as palavras de Francisco parecem sugerir que é precisamente no fato de que “viviam em harmonia com toda a natureza e praticavam o bem segundo a consciência” que se encontra o “culto aceitável” de Deus pelos ignorantes invencíveis, e que Cristo fundou a Igreja não para livrá-los do pecado e da condenação (cf. Jo 3, 16), mas apenas para revelar-se com maior clareza e certeza. Em outras palavras: Cristo veio, não para livrar os pecadores do inferno e torná-los santos, mas apenas para tornar ainda melhor o que já é bom. E isso resume bem a ideia de atividade missionária da Seita Novus Ordo e descreve com precisão seu enganoso slogan “plenitude da verdade”. Mas isso também é heresia: “Se alguém disser que a graça divina mediante Cristo Jesus é dada somente para isso, ou seja, para que o homem possa mais facilmente ser capaz de viver com justiça e merecer a vida eterna, como se por livre arbítrio, sem a graça, pudesse fazer ambas as coisas, ainda que com dificuldade e sofrimento – seja anátema” (Denz. 812).

No restante de sua carta, o falso papa tem a audácia de se referir ao grande e glorioso Papa Gregório XVI (1832-1846) como “nosso predecessor” – ignorando totalmente, é evidente, e contradizendo, o que o Sumo Pontífice Gregório XVI tinha a dizer sobre o que constitui um culto aceitável à Santíssima Trindade:

Omitindo outras passagens apropriadas, que são quase inumeráveis nos escritos dos Padres, louvaremos São Gregório Magno, que testemunha expressamente que esse é verdadeiramente o ensinamento da Igreja Católica. Ele diz: “A santa Igreja universal ensina que não é possível adorar a Deus verdadeiramente a não ser nela e afirma que todos os que estão fora dela não serão salvos”.
(…) Portanto, [os pais] devem instruir [seus filhos] no verdadeiro culto a Deus, que é exclusivo da religião católica. (Papa Gregório XVI, Encíclica Summo Iugiter Studio, nºs. 5-6; negrito nosso).

No poço de Jacó, Nosso Senhor Jesus Cristo disse à Samaritana que “aqueles que adoram [Deus] devem adorá-lo em espírito e em verdade” (Jo 4, 24). Ora, isto não pode ser feito sem a virtude da Fé e o auxílio da graça de Deus: “Mas sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11, 6).

Assim, fazendo eco ao ensinamento constante dos seus predecessores e d’Aquele de quem era Vigário, o Papa Pio XI declarou:

Exortamos, pois, com coração paternal, do alto desta Sé Apostólica, a todos aqueles que se gloriam de ser seguidores de Cristo, e que põem n’Ele a sua própria esperança e salvação e a da sociedade humana, que se unam sempre mais firmemente e mais intimamente a esta Igreja Romana, na qual só Cristo é crido com fé íntegra e perfeita, é venerado com o culto sincero de adoração, e é amado com a chama perpétua da caridade candente. (Papa Pio XI, Encíclica Lux Veritatis, nº. 36; negrito nosso)

A religião Católica Romana proclama com alegria a missão divina do Senhor à Sua Igreja de tornar todos os homens discípulos de Cristo, ou seja, Católicos Romanos.

A religião do Vaticano II, por outro lado, repudia essa ideia porque não é a religião estabelecida por Jesus Cristo.

Trad. por A. De: Novus Ordo Watch, “Do Pagans worship the True God without knowing it? A Look at St. Paul’s Discourse to the Athenians”.

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